segunda-feira, 6 de abril de 2026

Chuva

Chuva

A tarde escurece,
é o céu, lento, a se fechar,
como pálpebra cansada
que há muito não dorme.

Do café, o vapor
quente sobe em espirais
breves, fantasma morno
contra o frio do ar.

E então a chuva
começa a cair.
E o silêncio da tarde
a se esvair,
dissolvendo-se em gotas
que escorrem pelos
cantos do tempo.

Recordo livros
que ainda não li,
páginas intactas
como promessas
adiadas de um
amor perdido.

E a chuva prossegue,
fluida, incessante:

sobre o verde vivo das folhas,
sobre as poças que refletem
o azul do céu,
sobre o teto da casa,
sobre minha alma, que
a aguarda.

É o céu que chora,
é a chuva que cai.
É seu pranto
que silencia a
tarde a se extinguir.

— Tiago Amaral




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