segunda-feira, 11 de maio de 2026

Caixa de Recordações

Quantas flores resistem aqui,
imóveis no silêncio, 
e quanta saudade
criou raízes nesse mesmo lugar.

O tempo se fecha, denso,
e a chuva principia sua queda
como um sussurro místico e
ancestral. 

Memorias repentinas
irrompem ao toque
do vento frio,
uma sutileza suspensa
paira no ar, como folhas
de outono ao vento.

Tudo conduz minha mente
ao delírio de um sonho:
gaivotas riscam o céu
sobre a extensão da minha solidão.

Uma pequena caixa 
de recordações,
e o tempo escorre,
incessante,
por entre os dedos do agora.

— Tiago Amaral