terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Tentáculos

por Tiago Amaral (versão editada)

O vento soprava gelado naquela manhã cinzenta, trazendo o cheiro salgado do mar e o eco distante das ondas quebrando contra o cais. A pequena cidade costeira parecia adormecida, envolta por um manto de neblina e silêncio. Ali, dias de sol eram tão raros quanto histórias felizes – e, quando aconteciam, pareciam apenas lembranças de um passado que já não existia.

À beira do cais, um garoto chamado James esperava. Todos os dias, no mesmo lugar, com o mesmo olhar perdido no horizonte. Ele segurava pela perna um velho urso de pelúcia, presente do pai, John, que havia desaparecido em uma noite de tempestade. James ainda acreditava que o pai retornaria, embora todos na cidade soubessem que ele nunca mais voltaria.

John era um dos pescadores que ousaram navegar em direção ao Triângulo das Bermudas, um lugar onde histórias antigas falavam de navios tragados pelo mar e aviões desaparecidos sem deixar rastros. Alguns diziam que eram as tempestades – violentas e repentinas – que engoliam tudo o que se atrevia a cruzar aquelas águas. Outros falavam de algo muito pior.

Havia lendas, sussurros sobre um monstro colossal escondido nas profundezas. Uma criatura com tentáculos tão imensos que poderiam enroscar-se em navios como serpentes de aço, esmagando-os com uma força incompreensível. Os mais antigos contavam que era uma lula gigantesca, mas não uma criatura deste mundo – e sim de outro plano, outro oceano, outra dimensão.

Os pescadores desaparecidos eram apenas parte do mistério. Um dos casos mais assustadores foi o do Voo 9066, em 1966.

O avião seguia normalmente até entrar em uma violenta tempestade. Relâmpagos iluminavam o céu e a fuselagem tremia como se fosse de papel. No interior da aeronave, os passageiros estavam tensos. Uma senhora, na poltrona 14B, segurava um crucifixo com as mãos trêmulas. Ao lado, sua filha pequena olhava pela janela.

– Mamãe, eu vi alguma coisa lá fora… – disse a menina, os olhos arregalados.
– Não foi nada, querida. Vai ficar tudo bem – respondeu a mãe, tentando esconder o pânico.

Um homem mais à frente se levantou bruscamente, gritando:
– Tem alguma coisa lá fora! Eu vi!

Relâmpagos cortaram o céu, e foi então que alguns passageiros viram – apenas por um segundo – enormes tentáculos surgindo das nuvens, envolvendo a aeronave como se fossem garras de sombra. Na cabine, os pilotos congelaram ao perceber que algo indescritível se enrolava em torno do avião, arrastando-o para o centro da tempestade.

Dentro da aeronave, o pânico se espalhou. A criança gritou:
– Eu disse, mamãe! Tem alguma coisa lá fora!

Os tentáculos apertaram a fuselagem. A estrutura do avião gemeu, o metal se torcendo como se fosse um brinquedo. Um dos tentáculos, grosso como um tronco de árvore, cravou-se na ponta da asa. A turbulência ficou incontrolável. Um último estrondo – e a aeronave se partiu no ar. Passageiros foram lançados ao vazio, engolidos pela escuridão, e alguns foram eletrocutados por raios enquanto caíam.

Na costa, pescadores e moradores que observavam a tempestade viram relâmpagos iluminarem algo enorme e impossível no horizonte. Um dos homens, Jack, de botas e boné encharcados, gritou:
– Meu Deus… aquilo é… um avião?!

Mas em meio aos clarões, viram algo mais – uma silhueta monstruosa, fileiras de tentáculos envolvendo a aeronave. E então, num piscar de olhos, tudo desapareceu. Como se nunca tivesse estado lá.

A busca pelas autoridades foi inútil. Nem destroços, nem corpos, nada foi encontrado. E aquele mistério permanece até hoje, como uma ferida aberta na memória da cidade.

James cresceu com esse trauma. O menino que esperava o pai tornou-se um homem obcecado por respostas. Passou a vida estudando o Triângulo das Bermudas, o Monstro do Lago Ness, qualquer criatura ou fenômeno que pudesse explicar o desaparecimento de seu pai – e de tantos outros. No fundo, ainda carregava a esperança infantil de que, talvez, John tivesse atravessado aquele “portal” e estivesse vivo em algum outro mundo.

Mas algumas portas, como dizem os velhos pescadores, nunca deveriam ser abertas.

domingo, 7 de janeiro de 2018

Rimando Livre

Livre e selvagem como
as ondas do mar.
Como eu desejo
tanto te amar.
De olho para lua
a imaginando
toda nua.
Noite de verão uma
sereia linda no
coração quanta
emoção.
Na minha secreta solidão
descansa o olho do dragão.
Quero escrever sozinho
comtemplar
o mar com carinho.
Belo ninho de passarinho
não me sinto mais sozinho.
Cristalino e puro como
agua.
Forte e potente como as
correntezas de um belo
rio fluente.
Quente e iluminado como o
próprio sol.
Noite de luar chuva de
verão como a calor no coração. – Tiago Amaral


sábado, 6 de janeiro de 2018

La Bellezza degli Occhi

La più nobile e pura bellezza
che hai visto in quegli occhi.
In modo tale da sentire la nobiltà
della tua chiarezza. Fai di me l'atto di amare
vero. Bella e discreta, oh musa, ho resistito.
con angoscia, il mio cuore.
Negli occhi porta il mia amata l'amore.
Che da lui vivo, aspetto e respiro.
Il tuo fascino è così nobile,
quella dolcezza diventa bella, quanto
sublime, i tuoi occhi.
E lode alla vita.
Quanto è nobile il mio amore è fatto.
E lode a lui
un tale miracolo lo riconosce.
E anche gli occhi si fanno elogi,
per contemplare tale gloria.
E se l'io degli atti viventi aspetta ...
L'eternità diventa piccola.
E il prossimo vive un desiderio
grande oltre che infinito.
E poi ti chiedo, Signore,
così nell'ultimo respiro
della vita. Ricordo la bellezza degli occhi. - Tiago Amaral


A Beleza dos Olhos

A beleza mais nobre e pura
que naqueles olhos viste.
De tal forma sentir a nobreza
da tua clareza. Faz de mim o ato de amar
verdadeiro. Bela e discreta, oh musa, resisti
com aflição, meu coração.
Nos olhos traz minha amada o amor.
Que por ele vivo, espero e respiro.
De tão nobre é teu encanto,
que de doçura se faz belos, quanto
sublimes, os teus olhos.
E louvada seja a vida.
Quão nobre se faz minha amada.
E louvado seja aquele que por
tal milagre a reconhece.
E os olhos também se faz louvados,
por comtemplar tal gloria.
E, se a eu de viver atua espera...
A eternidade faz-se pequena.
E as próximas vidas um anseio
grande, tanto quanto infinito.
E eu então ao senhor, peço vida,
para que nessa, no último suspiro
de vida. Eu lembre da beleza dos olhos. – Tiago Amaral


sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Só Confusão Mundo Louco

Vivo numa época tão estranha quanto bizarra. Na qual os homens que dizem serem mulheres, estão se destacando em áreas que as mulheres poderiam estarem se destacando. A maior cantora do ano é homem. E em breve poderemos presencia a noticia de que a maior jogadora de vôlei é homem, a maior lutadora de MMA é homem. O princípio do fim de toda essa babaquice, tal como a ideologia de gênero. E o próprio feminismo com o seu ideal indo por água abaixo.
O feminismo que antes buscavam igualdade, direitos iguais para todos. Hoje é mais machista que os próprios homens julgados por elas como machistas. E as tais mulheres entre aspas, que são de fato homens, se destacando em áreas que as mulheres poderiam vim a se destacarem. Como nos esportes a onde a natureza está mostrando a realidade e acabando com essa babaquice. Mostrando que as tais mulheres entre aspas, que na verdade são homens, obtendo vantagem. E temos agora homem descendo a porrada em mulheres em pleno ringue.
A sociedade esse mal que tanto detesto e desprezo. Valorizam só as atividades masculinas e desvalorizam as atividades femininas. Resumindo todo mundo querendo ser homens e as mulheres de verdade perdendo seu lugar.
O homem já é por natureza um animal nojento aí bastou uma mulher que é homem e pronto! Pra quer mulher? (Risos) Só se for para engravidar como barriga de aluguel. E se liberar geral, é um adeus para as mulheres de fato de verdade. E isso em vários esportes e suas modalidades. Vindo a surgir ligas femininas inteiras compostas só por mulheres-homens. – Tiago Amaral


Abstrato

Saudades de outros tempos.
O que as lembranças trazem
se não a saudade?!
Havia flores naquele dia.
Havia flores no jardim.
Havia por fim um belo dia.

Troncos, galhos, folhas verdes,
céu azul com nuvens brancas.
E ali o teu corpo descansa.
O sol, sim o sol, a iluminar
e aquecer o dia.

Memorias remotas me trazem
de volta toda dor.
Me sinto abstrato, um
ser abstrato.
Não era, as nuvens não
eram de algodão.

Pluma pelo ar ao vento.
Saudade do brilho de um olhar.
Parece que foi uma
eternidade é o que o meu
coração me diz. – Tiago Amaral



quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Por Mim

Você desprezou o meu
sentimento.
Transformou o azul do
meu céu num cinza de
puro tormento.

Não viu o quanto fiquei
em pranto.
Me pede agora pra
esquecer.
Sendo que quem sofreu
essa dor fui eu.

Eu que jurei nunca te
esquecer.
Que para sempre e a
amar só você.

Eu te mostrei o céu.
Te entreguei o meu
coração.
Como eu e a esquecer
você?
Jurei que para sempre
de amar só você. – Tiago Amaral