quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Mergulho Entre Palavras

Quando se começa a mergulhar
no mar da literatura.
A de ficar completamente
encantado e apaixonado.
Querendo mais fundo mergulhar.
E de lá simplesmente não
retornar.
Quem mandou eu mergulhar
nesse mar?
Que é simplesmente
impossível deixar de amar.
Então simplesmente mergulhei
mais fundo.
Querendo me perder naquele
mundo.
Repleto de letras e poesias,
que enche o meu coração de
alegria.
Poemas de dor, flor e
também de amor.
Embaralhar as palavras para lá
e para cá, para nelas mergulhar.
E me perder nesse mar, pelo simples
fato de saber amar.
E pelas palavras mergulhar
entre amor, desespero e dor.
Ah, em cada rosa a beleza,
e você é uma rosa, a mais
bela das rosas.
Ah, a sim como a brilho e luz,
nas estrelas, você é uma estrela,
a estrelas de todas as estrelas. – Tiago Amaral



quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

A Caminho do Fim

Por Tiago Amaral - Versão Revisada

Na penumbra de uma galeria antiga, fui atraído por um retrato que parecia pulsar com vida própria. A jovem ali, morta há séculos, tinha olhos que me prendiam — profundos, quase vivos, emoldurados por uma moldura de madeira gasta. Sua beleza era hipnótica, mas um frio inquietante rastejava por minha espinha. Quanto mais eu a contemplava, mais a angústia e a paixão se entrelaçavam em meu peito, como se o retrato sussurrasse segredos que minha alma temia ouvir.

De repente, o mundo ao redor escureceu. As luzes da cidade, os carros, as vozes dos transeuntes — tudo sumiu, engolido por uma escuridão densa. Um trovão rasgou o céu, e a galeria tornou-se uma ilha frágil entre vidros que tremiam. Meu coração batia como um tambor, a pele pálida, o estômago revirado por uma agonia que queimava de dentro para fora. “Maldita hora que vim a esta exposição”, pensei, as mãos trêmulas segurando o parapeito, como se os vidros fossem minha única proteção contra o abismo.

O mundo girava, a realidade dissolvendo-se num pesadelo. Pela vidraça, as pessoas na rua não eram mais humanas — seus rostos, caveiras descarnadas, marchavam em silêncio. Carruagens puxadas por cavalos de pelagem negra surgiram, o som de seus cascos ecoando como um presságio. No horizonte, guerreiros travavam batalhas sangrentas, o solo encharcado de vermelho. Olhei para o céu e vi anjos e demônios colidindo, suas asas cortando nuvens em chamas. “O que é isso?”, murmurei, o pavor me sufocando. A cidade ardia, sangue escorria pela vidraça, e as caveiras me encaravam. Meus joelhos cederam, e desmaiei, engolido pela escuridão.

Ao despertar, o rosto da jovem do retrato estava diante de mim, real, vivo, seus olhos me perfurando com a mesma intensidade. Confuso, com o coração ainda disparado, perguntei: — Onde estou? — Ela me fitou, serena, e respondeu com uma voz que ecoava como um oráculo: — Você está no fim dos tempos. E está aqui para lutar ao meu lado. Tome isso. — Em minhas mãos, ela colocou uma pistola, o metal frio pesando como um destino inevitável.

O mundo que eu conhecia havia desaparecido. À minha volta, apenas ruínas e o eco de uma guerra sem fim. A jovem, agora minha guia, permanecia ao meu lado. A luta, eu sabia, estava apenas começando.

Selvagem e Livre

Pessoas verdadeiras são as loucas e no seu interior a humanidade delas se reflete como algo puro e verdadeiro.
Ao tocar o verdadeiro real sentido da vida uma alegria inexplicável me envolvia tomando conta de mim e do meu coração o enchendo de paixão e de amor pela vida. Intensificando esses sentimentos que já eram frutos normais do meu ser interior. Que só se intensificou com as lições e testes da vida e do destino.
Quando a noitecia e as estrelas nasciam com seus brilhos celestes a lua então tinha a vez dela. Então a própria apareceu para que eu pudesse para ela uivar minha livre liberdade. Nessa hora não havia nada, porque simplesmente não a nada, mais puro do quer a liberdade. A não ser a beleza da aurora que a própria liberdade me dava o prazer de ver e de poder comtemplar em pleno meu viver.
Quero morrer em plena liberdade longe da sociedade que nada tinha a me oferecer a não ser obrigações e limites para viver. E ainda uivando para lua a morrer na minha forma original de ser, livre e selvagem. – Tiago Amaral


terça-feira, 2 de janeiro de 2018

O Poema de Sangue

E a cor de vermelho sangue na verdade era sangue de fato. Então ao ver que a tinta havia acabado e não havia mais onde mergulhar a pena para escrever. O poeta em um surto psicótico, pegou fortemente a pena. E depois de fitar os seus próprios olhos no seu próprio braço esquerdo. Com uma expressão tão perturbada, ele simplesmente feriu a se próprio. Cravando a pena no próprio braço esquerdo.
Enquanto resistia a uma dor aguda, o sangue escorria por seu braço. Uma dor cuja tal se semelhava a de vários ferrões de abelhas, em um único local do corpo. Então para não perder tempo usou o próprio sangue fresco, escorrendo do seu braço, para terminar o poema. Chamado:
“Dor Amor e Sangue

Se a morte não temo mais,
o que me resta para temer?
Se não o fato de uma vida
longa e solitária longe de
minha amada morta.
E toda dor que carrego
me serve de um peso
incomensurável de angústia.
E me vejo aqui ao longe de
tudo, cuja a única alegria a
me alegar.
São os cantos dos pássaros
lá fora e a beleza da aurora.
Além do belo jardim lá fora
e as árvores a balançar
também lá fora.
E as horas passando com o
tempo ao observar o ritmo
do vento.
Mas a tristeza a de vim e
na minha porta a bater.
E então a tomar conta de mim.
Então nessas horas e nesses
momentos, me vejo mergulhado
em dor, sangue e amor.
Além da saudade da minha
amada flor.
Me fazendo lembrar que nada
me trazia mais graças e
alegria do que ela.
Seu jeito puro de ser, seu riso,
teu canto e sua belíssima voz.
E tudo mais que a saudade me
faz lembrar e eternamente
amar.
Numa mistura doce e amarga
de dor e prazer.
Então como esquecer do teu
belíssimo olhar? que eu a de
para sempre amar. Assinado: Pedro José
para minha amada, Elisa. Ano 1886.”

E a sim que terminou o poema o poeta se dirigiu a onde estava os curativos e pegou algumas coisas como uma gaze. Um tecido usado normalmente na medicina, para enfaixar algum tipo de lesão corporal. Então depois o poeta mesmo que na loucura e perturbado. Ainda a sim consciente enfaixou o próprio braço. Pegou um pouco de café e voltou meio que mórbido ou pálido, para o seu quarto.
E ao segurar a fria maçanete, meia que com a pintura desgastada, a porta de madeira solida. Firme, cuja as dobradiças enferrujadas, fazia um certo barulho ao abrir e fechar a porta. Como se algo estivesse rangendo os dentes de uma forma agonizante e perturbadora. Que dava uma sensação de agonia interna, vinda direta do fundo da alma.
Então abriu a porta e foi ater o poema, cujo tal ele olhava com uma expressão de satisfação e de dever cumprido. E do lado notou-se ele, através do vidro da janela, lá do alto do quarto, enquanto segurava o copo quente de café com as duas mãos. Que via sua amada brincando, entretida e risonha entre as flores daquele belo Jardim. Então desceu correndo pela escada, abrindo a porta da sala, indo direto para fora. E foi correndo ater o jardim, cujo a miragem da sua amada, continuava a brincar risonha e feliz.
Correndo ele foi ater lá gritando o nome de sua amada: “Elisa! Elisa! Elisa!” Que no meio de tantas flores se perdia, sumindo das vistas e dos olhos do poeta. Desaparecendo bem no meio das rosas vermelhas, que no lugar onde ela sumiu, uma rosa sublime se abriu. Era linda e mais bela que as outras, então o poeta passou a cultiva com todo seu amor em todos os dias, aquela belíssima flor, que lembrava tanto o seu eterno amor. – Tiago Amaral  



Tulipana Sublime

Prezioso come un fiore di tulipana.
Sublime sono gli occhi della mia amata
chi diventa così nobile e puro.
Più o più lungo del tempo
Passa ma la tua anima è innamorata
mi porta a stare
E se il tempo si fermasse, sarebbe rimasto
Sto guardando una signora del genere
l'eternità.
Oh musa ti rende il mio cuore
e la riconoscenza ti rende la mia anima
dalla tua nobile esistenza.
Anche se tale gloria non lo è
appartiene, che per amore allora
Ti faccio presente.
E il desiderio che è presente non lo fa
per le altre donne il piacere, ma per
il mia amata tutto
E intendo quello con cui sospiro
ricordandoti del suono del
Le parole del tuo nome.
Stava fissando me o il mio cuore.
eternamente per la tua immagine.
Dammi l'amore per la tua grazia
e esistenza.
Quello all'amore da solo all'essere
abbastanza vero.
Quindi per il mia amante sublime
Mi muovo solo per amore.
Quello per lei che ho e io tengo e per
Tengo questo amore per un intero
fiore semplice e amata, così prezioso
come un fiore di tulipano.
Quindi quando mi sono trasferito per amore, io
Mi muovo attraverso la vita del mio
esistenza umile.
Amare la mia amata e tutto.
quello dalle terre pure e vergini
cammina ogni creatura creata attraverso
dalle mani del Signore.
Quanto sono grato che abbia creato
con tale perfezione, mia ​​magnifico
e sublime fiore tulipana. - Tiago Amaral


Tulipa Sublime

Tão preciosa quanto uma flor de tulipa.
Sublime são os olhos de minha amada
que se faz tão nobres e puros.
Por longe ou por mais que o tempo
passe, mas apaixonado tua alma
me leva a ficar.
E se o tempo parasse, permaneceria
eu a contemplar tão dama pela
eternidade.
Oh musa faz-te seu o meu coração
e agradecida faz-te a minha alma
por tua nobre existência.
Mesmo que a mim tal gloria não
pertence, que pelo amor então
te faço presente.
E o desejo que se faz presente não
por outras damas o prazer, mas por
minha amada por inteira.
E refiro me então aquela por qual suspiro
ao lembrar do ressoar do som das
palavras do teu nome.
Fitava-me então ou meu coração
eternamente por tua imagem.
Alimenta-me o amor por sua graça
e existência.
Que ao amor por si só ao ser
verdadeiro bastar.
Então por minha sublime amada
me movo só pelo amor.
Que por ela tenho e retenho e a sim por
toda vida mantenho tal amor a uma
singela e amada flor, tão preciosa
quanto uma flor de tulipa.
Então ao me mover pelo amor me
movo através da vida da minha
humilde existência.
Amando minha amada e tudo mais
que pelas terras puras e virgens
caminha toda criatura criada através
das mãos do senhor.
Que tão grato me faço por ele ter criado
com tal perfeição, minha magnifica
e sublime flor de tulipa. – Tiago Amaral


segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

O Doente

Versão Revisada

"Como esquecerei tua presença gélida, fria como o hálito do inverno, levando-me a vida… ou será a própria vida, covarde, entregando-me às tuas mãos malditas?"

Assim murmurava o doente, preso à cama estreita de madeira escura, envolto em lençóis que pareciam carregar o peso de todos os anos que vivera. Respirava com dificuldade, cada suspiro um arrastar de correntes invisíveis dentro do peito.

A pequena janela do quarto deixava entrar um fiapo de luz cinzenta. Lá fora, o vento trazia o cheiro úmido de terra e folhas apodrecidas, o hálito da estação mais triste do ano. E, sobre ele, pairavam duas presenças que ninguém mais parecia ver: a Vida e a Morte.

— Ainda não é hora dele — disse a Vida, cuja voz lembrava o calor tímido do sol nas manhãs de primavera. Seus olhos eram claros como um rio, e sua presença trazia um sopro de esperança quase esquecido. — Ainda lhe restam anos, e a esperança é alimento da alma.

— Anos? — replicou a Morte, erguendo o queixo sob o capuz negro. Sua voz tinha o som de uma porta antiga rangendo ao vento. — Veja esse rosto… Pálido como véu de luto. Seus minutos são moedas gastas num mercado vazio. No máximo, horas.

O velho ouvia o diálogo, embora seus lábios tremessem sem força para intervir. Já não esperava a Esperança. Há muito deixara de chamá-la. Sabia que a Morte é a única visita que nunca se atrasa.

E lá estava ela, junto à cama: a caveira nua, polida, cintilando à luz fraca, envolta num manto que parecia beber a claridade. Na mão, a foice cuja lâmina refletia o último raio vindo da janela, tão afiado que parecia poder cortar até a própria noite.

Ainda assim, havia algo nela de estranho… um perfume frio, quase doce, e um porte feminino sob o tecido. Mas o velho sabia que aquilo era engano: por baixo, apenas ossos. A Vida, em contrapartida, resplandecia com uma luz dourada, calor que aquecia até a medula e um rosto que lembrava alguém que ele amara há muito tempo.

O quarto tornou-se um palco onde luz e sombra se encaravam. As paredes, manchadas pela umidade, pareciam se aproximar lentamente, como se o cômodo fosse um pulmão prestes a expirar o último suspiro.

Duas velas ardiam sobre a cômoda, lançando sombras trêmulas que dançavam como espectros presos. Lá fora, a tempestade rugia. A chuva golpeava as vidraças como dedos impacientes, e cada trovão fazia o velho estremecer.

Ele tossiu, tossiu até sentir gosto de ferro na boca.
— Estou… morrendo! — sussurrou, mas ninguém o ouviu.

A criada, que dormia na sala ao lado, acordou com o barulho e correu até ele. Seus olhos se arregalaram ao vê-lo tão branco, tão leve, como se já estivesse se desfazendo. Sem dizer palavra, correu para chamar o médico.

Quando este chegou, trazia no rosto o cansaço de quem já carregou mais mortes que curas. Encostou a mão fria na testa do doente, examinou o pulso, olhou nos olhos apagados. E suspirou.

— Não há mais nada que eu possa fazer.

A Morte sorriu.
A Vida abaixou os olhos.

O velho tentou falar, mas as palavras se arrastaram como folhas secas pelo chão:
— Eu… queria mais um dia… só um dia…

Mas ninguém respondeu.

Do canto do quarto, a Morte avançou. Sua presença apagava o calor, e as velas diminuíram suas chamas. No instante final, um lampejo: imagens da juventude, o rosto da mulher que amara, o cheiro da casa da infância, o som do mar que vira apenas uma vez na vida. Tudo se misturou numa última e dolorosa beleza.

Sobre a escrivaninha, papéis cobertos de poeira. Um deles era a última carta que escrevera, com letra trêmula:

"Estou à beira da morte, esvaindo-me dia após dia. Já não sou o jovem de outrora, mas um velho cansado, pele enrugada e corpo quebrado. Perdoe-me por não comparecer. Adeus… até outra vida, meu amigo. — João Pedro"

A Morte o tocou. E o silêncio caiu como um manto pesado. A tempestade cessou, como se até o céu respeitasse aquele momento.

Lá fora, um corvo grasnou uma única vez e voou para a escuridão.

E, no quarto vazio, apenas o som de passos se afastando… passos que pertenciam a alguém que não era mais deste mundo.