quarta-feira, 8 de abril de 2026

Entre Fotografias e Silêncio

Nas fotografias,
o seu retrato.
Memórias repentinas
invadem os pensamentos.
Será que eles não entendem?

Na escola, entre as aulas
de matemática e a hora
do recreio, nada me distrai.
A cidade hoje amanheceu
tão fria, só para me lembrar.

Na escola, seu lugar ainda
se encontra vazio.
E em meu coração
jamais esteve vazio.
Suas lembranças ainda
são frescas em meus pensamentos.

Nessas horas, o coração
bate mais forte.
A distância se torna curta
e parece que o tempo passa
mais devagar, e sinto você.

Sua opinião nunca foi
importante para seu pai.
Nada era mais importante
que o trabalho dele,
que te levou embora daqui.

E nada mais é igual sem você.
Sua antiga casa ainda vazia,
tudo tão recente que ainda
aperta o meu coração.
Na solidão do quarto,
penso em você.

Por favor, meu amor, me espere,
o tempo transcorre rápido.
Falta tão pouco tempo, então
seremos adultos.
Me guarde como antigas
fotografias,
como aquilo de mais
precioso, pois também
não sei viver sem você.

— Tiago Amaral



segunda-feira, 6 de abril de 2026

Chuva

Chuva

A tarde escurece,
é o céu, lento, a se fechar,
como pálpebra cansada
que há muito não dorme.

Do café, o vapor
quente sobe em espirais
breves, fantasma morno
contra o frio do ar.

E então a chuva
começa a cair.
E o silêncio da tarde
a se esvair,
dissolvendo-se em gotas
que escorrem pelos
cantos do tempo.

Recordo livros
que ainda não li,
páginas intactas
como promessas
adiadas de um
amor perdido.

E a chuva prossegue,
fluida, incessante:

sobre o verde vivo das folhas,
sobre as poças que refletem
o azul do céu,
sobre o teto da casa,
sobre minha alma, que
a aguarda.

É o céu que chora,
é a chuva que cai.
É seu pranto
que silencia a
tarde a se extinguir.

— Tiago Amaral




domingo, 5 de abril de 2026

Vale

Ó estações,
deslizam e retornam
como o sopro leve
sobre os veles
adormecidos.

Canta o vento,
em secreta sintonia,
tecendo harmonias invisíveis
no azul profundo do céu.

No vale, a beleza repousa
como um segredo ancestral.
O céu se ergue em silencio,
e o sol, em gesto íntimo
de amor, beija a face da terra.

Quanta vida irrompe,
latente, luminosa.
Contemplam meus olhos
este instante magico,
quase sagrado.


— Tiago Amaral





sábado, 4 de abril de 2026

Ninfa

Uma fada,
a encantar
a natureza?
És a mais bela
que vi.
Criatura gentil,
habitavas
o bosque.

Ou serias, talvez,
uma ninfa,
a mais pura
das ninfas?
Onde estás agora,
doce presença?

É por ti
que minha alma
anseia,
em sonhos
que ardem
em febre;
e o bosque
perde a vida
quando tua ausência
o silencia.

Nos olhos,
trago a esperança
de, um dia,
tornar a ver-te,
ó visão fugidia.

E que eu possa,
ao menos,
contemplar-te,
meu céu,
antes que a morte
me leve.

Sem amar-te,
morrendo, enfim,
no amor
que não vivi.

— Tiago Amaral



sexta-feira, 3 de abril de 2026

Anjo

Anjo que
ao solo desce,
e, no pó do 
mundo, pisa.

Nunca vi
face mais bela,
nem olhos
de tão doce 
abismo.

No jardim,
secreto, te procuro,
flor sem nome.
Procuro
essa forma
quase divina,
quase sonho.

Onde estás, anjo?
Por que tardas?
Não surges
para, em teu encanto,
cativar-me os olhos
e inundar de luz
meu coração?

— Tiago Amaral



terça-feira, 31 de março de 2026

O Navio

Ao longe,
longe da terra.
Ilhas sob o azul
e águas do mar.

Quanto tempo navegamos,
capitão,
sob céu de estrelas
e frieza do oceano?

Sobre mares noturnos,
sob tambores da tormenta,
ainda navegamos.

Que saudade
anseia e dorme
no peito
desde a partida sofrida da
despedida
de minha esposa
e meu filho.

— Tiago Amaral



sábado, 28 de fevereiro de 2026

Tarde Chuvosa

Lagrimas
que se perdem
na chuva.
O dia hoje
amanheceu
assim.

Quanto
tempo já
passou?
Dia sombrio,
tempos
de chuva.

Solidão
marinha no
silencio
das ondas
mar.

Um olhar
que se perde
em meio
ao temporal.

— Tiago Amaral




terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Sobre Águas do Mar

Como folhas
ao vento,
pássaros
que cruzam
a linha do
horizonte.

A cintilância
das estrelas
sobre as
águas do mar...
Sob a luz
plena do
luar.

Mil estrelas
refletidas
e o coração
que pulsa
e ousa
a sonhar.

Cantos de
sereias,
castelos
de areia,
a luz da lua
a dançar
sobre as águas
do mar.

— Tiago Amaral










Céu de Estrelas

Ao longe,
a cidade cintila
como o céu
noturno.

Descansa
esta noite
sob o manto
estrelado.

Enquanto
as estrelas
dançam na
imensidão
do espaço.

Nada é mais
belo, intenso
e mais bonito
que o infinito.

Apenas as
estelas
a refletidas
em teu olhar.

— Tiago Amaral



quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Ondas Solitárias

Ondas
solitárias.
Parece
que o sol
se pôs
mais cedo.

Hoje choveu
pela manhã.
Como às vezes
sempre chovia.

Memórias
como folhas
e rosas
molhadas
pelo temporal.

Redemoinho
em espiral.
Os cães sobre
o jornal
de antes de ontem. – Tiago Amaral



terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Matilhas do Tempo

Pequenos
lírios.
Folhas mortas
acompanham
o uivo da
ventania.

Como matilhas
de lobos
a atravessar
o tempo
e o próprio
vento.

Rascunhos
empoeirados.
Velhas
fotografias.
Antigas
memórias.

O sol nesse
entardecer.
E a lembrança
que permeia
o jardim. – Tiago Amaral